menu Menu
O que você procura em reviews de games?
Por Marcellus Vinícius Publicado em 7 de janeiro de 2025
Remake não existe para apagar as versões originais Anterior Por que Super Mario RPG é tão aclamado Próximo

Reflexões sobre as razões de existir dos reviews de jogos

Já parou para se perguntar o que as pessoas que gostam de videogame procuram quando leem análises ou acompanham médias em agregadores de nota como o Metacritic? Existem vários caminhos possíveis para essa resposta, e não acho que exista um motivo certo que possa anular todos os outros. Mas vou compartilhar aqui algumas das minhas reflexões sobre o assunto. 

Quando comecei a ler reviews de jogos, ainda na época das revistas impressas dos anos 90, os textos eram basicamente guias de consumo. Revistas de games não estavam tão distantes das publicações especializadas sobre eletrônicos ou carros. A ideia era analisar desempenho, dizer para o público se aquele produto valeria ou não o investimento. 

O diferencial estava no foco em crianças e adolescentes, exigindo uma linguagem mais dinâmica e lúdica. As notas numéricas completavam essa caricatura, quantificando coisas totalmente subjetivas, como o famigerado “fator diversão” de cada jogo. Foi importante no processo histórico do jornalismo de games, e cumpria o papel de divertir, ao mesmo tempo em que ajudava nossos pais a não gastar o salário em algo frustrante. 

Com o tempo, à medida em que o debate foi amadurecendo, as análises gradativamente começaram a enxergar os jogos mais como obras de arte e cultura do que como produtos. Ainda é muito recente, afinal, o consenso de que videogames são, sim, arte. É normal que muitas pessoas da comunidade ainda não saibam muito bem o que fazer com essa informação. 

Fazer crítica de algo como uma obra do campo da estética vai muito além de meramente dizer se é ‘bom’ ou ‘ruim’, se os gráficos são feios ou bonitos, ou se a taxa de quadros se mantém constantemente em 60 frames por segundo. Bater o martelo sobre o valor quantificável das coisas é bem menos importante do que refletir sobre os motivos do jogo ser como ele é, e como isso pode dialogar conosco e com as nossas vidas. 

A esmagadora maioria dos reviews de jogos da última década são um híbrido entre as duas propostas. Parte guia de consumo, parte comentário estético. Não sei dizer se esse é o formato ideal ou se estamos apenas em um período de transição meio embolado, mas eu apostaria na segunda hipótese. 

O que eu não tenho como negar é que existe espaço para as duas propostas coexistirem. Continuamos buscando ajuda para gastar com sabedoria nossos 350 reais na eShop (dói, eu sei), assim como precisamos de espaços para conversar sobre as experiências de jogo de modo mais contemplativo e menos consumista. Temos demanda e propósito para ambas abordagens. 

Mas a internet estabeleceu também um terceiro motivo para as pessoas acompanharem reviews de jogos com atenção. É a tal “disputa de GOTY”, a competição nos agregadores para tentar cravar quem ganhou de quem em cada ano. Uma versão mais dinâmica e imediata das famosas “guerras de consoles”, nas quais pessoas defendem fervorosamente empresas bilionárias como se fizessem parte do conselho administrativo delas.

Acredito que essa atenção toda em médias de Metacritic prejudica a conversa porque, com isso, não estamos exatamente falando sobre os jogos e nossa experiência com eles, mas sobre uma hipotética corrida que só faz sentido para o fechamento do ano fiscal das desenvolvedoras. Sequer estamos falando sobre as análises em si, porque elas se tornam apenas números. Projetamos nosso ego em algum jogo ou console favorito e usamos a média final como meio de afirmação, sabe-se lá de quê.

Esses foram alguns pensamentos soltos sobre o assunto que me ocorreram consumindo e escrevendo análises ao longo dos anos. Acredito que a crítica, seja ela focada no consumo ou na reflexão estética, desempenha um papel fundamental não apenas nas transformações na maneira como nos relacionamos com videogames, mas também como um importante registro histórico da mídia.

Mas e você, por que se interessa por reviews de jogos?

Crítica Reflexão


Anterior Próximo

keyboard_arrow_up